A BIBLIOTECA PÚBLICA

A Biblioteca é o centro de informações da comunidade. Sua função primordial é informar, com a responsabilidade de atender a todos. É mantida pela Prefeitura Municipal e recebe, também, doações da comunidade e de entidades. Atendimento:De segunda a sexta- feira, de 08h30 às 16h30.Endereço: Rua Barão de Suassuí, 106– CentroConselheiro Lafaiete - MGCEP 36.400-130 Contato:(31) 3764-9802 - Opção 2e-mail: bibliotecalafaiete@gmail.comfacebook:http://www.facebook.com/profile.php?id=100003122274784 - Instagram.com/bibliotecalafaiete/

LITERATURA LOCAL E REGIONAL

 

ARTUR LAIZO

Natural de Conselheiro Lafaiete, nasceu em 08 de novembro de 1960.

Publicações: Coisas da noite; Maloca querida; É difícil morrer; Lembranças do Oriente; A festa derradeira; A mansão do Rio Vermelho; Um vampiro nos trópicos - A mansão do Rio Vermelho II

 

O MUNDO DEPOIS DA PANDEMIA

2050

João X56 andava perto daquela areia escaldante e achou uma engenhoca que, a princípio, não reconheceu. Pegou o artefato e olhou para a água do mar que batia vermelha naquele espaço imenso de areia rosada. E estava sempre procurando alguma coisa.

A orla era o caminho, mas ninguém ousava entrar na água corrosiva do mar que era habitado somente por seres de aspecto horripilante, alguns estavam longe da orla pelo tamanho imenso. Pareciam baleias. Os seres no mar eram adaptados para viverem naquela água ácida e vermelha.

...

Ele ouviu: “O Rio de Janeiro continua lindo”... A música continuou. Mas era muito diferente da música. Ele achou muito divertido e muito estranho. Ele estava no Rio de Janeiro e podia jurar que nada ali era lindo! O mundo passou por mudanças importantes há trinta anos e não havia muita semelhança entre o mundo que ficou para trás e aquele lugar onde estava.

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O quer aconteceu?

O mundo foi atacado por um vírus de disseminação rápida e que trouxe muitos dissabores a todos os países. Ninguém esperava que naquele ano de 2020, que começou de ressaca como todo ano, haveria uma mudança genética tão importante.

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O mundo em 2050 deixou de ser lindo. João X56 nunca conseguiu imaginar como era o planeta Terra antes da pandemia.

 

Fonte: Antologia Lafaiete em Prosa e Verso. LIBÂNIO, Cleonice (org.), 2020.


REUBER LANA ANTONIAZZI

Natural de Conselheiro Lafaiete e filho de Umberto Antoniazzi e Libânia Lana Antoniazzi. Bacharelou-se em Direito em Conselheiro Lafaiete, mudou-se para Belo Horizonte, onde formou-se em Administração de Empresas na UNA, graduando-se ainda em Direito de Empresas, na Fundação Dom Cabral.

Publicações: Tributo à Rua Marechal Floriano Peixoto, Contos e Causos de Lafaiete e Amigos, Carta de Luzir aos Portugueses e Av. Furtado – no tempo do brilho dos paralelepípedos.

 

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Na Semana Santa a Marechal era tomada pela fé. A procissão do encontro, sob a vigília dos padres Antônio e Ermano José Ferreira, e, o Nêgo Sacristão, emérito ditador. O ponto alto era a passagem da imagem de Nossa Senhora das Candeias, no Areal, e percorria a rua para o ato do encontro na Praça São Sebastião. Era uma rezação e velas sem fim, as frentes das casas singelamente enfeitadas, demonstração viva de fé dos moradores. A meninada prestava atenção em tudo; menos na procissão.

Até hoje, a procissão do enterro na Semana Santa da igreja de São Sebastião, passa na Marechal. Sexta-feira Santa, dia de reciclagem, tempos houveram que o silêncio era imperativo, festividade religiosa que marca época na cidade. Moisés com seu cajado e as figuras bíblicas da história do cristianismo, transcendendo os tempos da vinda de Cristo, memória viva sob os acordes da matraca e dos cantos de Verônica, interpretado pelo soprano, D. Enaura, que denota toda fé e emoção. Dona Norata, em outros tempos, deu sua contribuição. A meninada continua do mesmo jeito.

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A Marechal era premiada pela capela de Nossa Senhora das Candeias. Na festa de São Cristóvão, o ponto alto era a grande passeata com carros, motos, caminhões, tudo que anda. Lembro-me que a criançada enfezava e de qualquer jeito arrumava carona para participar, as mães fechavam os olhos e ficavam rezando para nada acontecer.

Na ocasião do jubileu de Congonhas, em setembro, passavam caminhões com a cabina cheia de romeiros e a meninada gritava sem parar: -Olha os paus de arara! Ao que respondiam: É a mãe.

Os adultos, como geralmente acontece, poucos se lembram e participavam das coisas uns com os outros, embora todos fossem mais ou menos iguais. A diferença sempre ficava por conta da meninada.

Fonte: Tributo à Rua Marechal Floriano Peixoto. ANTONIAZZI, Reuber Lana. Editora do Autor, 1998.


MARTHA FARIA FERNANDES

Natural de Conselheiro Lafaiete, filha de Henrique Nogueira de Faria e Marieta Marques de Faria. Funcionária federal aposentada, participou de várias antologias e concursos. Recebeu a medalha cultural da Revista Cultural de Brasília/DF e a medalha da Editora IPSIS/RJ em 1991. Pela ACLCL recebeu premiações em diversos concursos literários, recebeu ainda pela Câmara Municipal de Conselheiro Lafaiete o título de Cidadania Benemérita. Faleceu em 17 de agosto de 2016 em Conselheiro Lafaiete. Era membro-efetivo-fundador da Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafaiete.

Publicações: Divagando, De tempos em Tempos, Recantos e Acalantos

 

ANOS DOURADOS

 

Foram esperanças vívidas

De sonhos e encantamentos

Algumas ilusões perdidas

Porém de belos momentos

 

Romântica mocidade!

Guardava, com tanto amor,

Relicários de saudade,

A carta, o retrato, a flor...

 

Na praça, encontros, passeios,

Inesquecíveis, constantes,

Aos domingos, os enleios

Das brincadeiras dançantes.

 

Carnavais muito animados

Com serpentina, confete,

Os clubes bem frequentados,

Sempre em festa, Lafaiete!

 

Os cinemas encantavam

Com bons filmes exibidos

E todos apreciavam

Seus artistas preferidos

 

Havia paz e alegria,

A cidade em expansão,

Com progresso e harmonia,

Ideal, trabalho, união.


Foi uma época feliz

Da nossa terra natal,

Por isso, agora se diz:

-Jamais haverá tempo igual!

 

Fonte: De tempos em tempos. FERNANDES, Martha Faria. Consórcio Mineiro de Comunicação (CMC), 2007.


CLÁUDIA GUIMARÃES

Natural de Conselheiro Lafaiete, nasceu em 1968. É escritora e pedagoga. Graduada pela FASAR fez sólida carreira como professora de ensino infantil por mais de duas décadas.  É fundadora e organizadora da Biblioteca Casa de Guimarães, que presta serviços de empréstimos, como também ações pela cidade. Realiza palestras em eventos e escolas ministrando sobre seu trabalho, o incentivo à leitura e a proteção animal.

Publicações: Olhos de vira-lata (2016), Bunitinha (2018).

 

OS GUIMARÃES

Meu avô Romeu Guimarães de Albuquerque e sua esposa Adélia Isabel de Almeida moravam na casa da praça, que ficava ao lado da Matriz de Nossa Senhora da Conceição. Vovô foi juiz de paz, jornalista, juiz de direito, entre outras coisas. Tinha uma vida metódica e escrevia em seu diário toda a vida familiar, profissional e política da época. Só usava terno preto, chapéu e relógio de bolso. Sua esposa vivia para cuidar da família numerosa e também de quem não fazia parte dela, já que estava sempre disposta a ajudar as pessoas. Era extremamente caridosa.

Sua casa era frequentada por pessoas de todas as classes sociais e religiosas. Lá conviviam católicos, espíritas, protestantes e ateus pacificamente. Católico por formação, era incentivador da leitura e os filhos tinham livre acesso a qualquer tipo de literatura e alguns simpatizavam-se com o comunismo, sem que o pai se opusesse.

Vovó Adélia morreu com 57 anos, em 1939, e vovô, aos 90 anos, de velhice.

Vovô dormia todas as noites às 19 horas, inclusive no dia do seu aniversário de 90 anos, quando recebeu a visita do prefeito da cidade. Desculpou-se com ele falando:

-O senhor não repare, mas costumo dormir às 19 horas. Com licença...

E foi se recolher, não sem antes pedir a nora, Antonita, que levasse um pedaço de bolo para ele no quarto, já que a casa estava cheia de gente desde o almoço. O parabéns foi cantado sem o aniversariante.

...

 Fonte: Bunitinha. GUIMARÃES, Cláudia. Edição do Autor, 2018.


ALUISIO SANTIAGO CAMPOS JÚNIOR

Natural de Conselheiro Lafaiete, nasceu em 22 de maio de 1962. Pertencia à Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafaiete e ocupava a cadeira 20, que tem como patrono José Leão. Graduou-se em Direito, além de especialista e mestre em Direito Constitucional pela UFMG. Sua grande paixão foi o magistério e a literatura.

Publicações: “A cada manhã”; “Viagem ao corpo”; “Anjo nos telhados”; “Sensíveis jogos cênicos”; “A solidão dos espelhos”; “O resto de tudo”; “Toda imperfeição do amor”; “Estragos de chuva”; “Enquanto seu lobo não vem”; “Que diabo é esse trem? Dicionário de mineirês”; Entre os jurídicos encontram-se “Direito de Propriedade”; “Direito de Família”; “Direito das Sucessões” e “Posse”. Ao todo são 17 livros editados, entre jurídicos, contos e romances.

 

INÉRCIA

O homem transformou o tempo em esparsas horas, apoiando sua justificativa na negligência que se lhe vestiu. Incapaz de se compor, porque a desídia de seus gestos revelaram-se anacrônicas, deu-se por prostrado. Só pode ser doença, vê-se pelas olheiras e inapetência. A felicidade deixou-o há dias como as contas vencidas na gaveta da cabeceira e os jornais acumulados na porta, que delatam não haver alguém em casa, e a luz do corredor acesa dia e noite, e a gota irritante da última torneira mal fechada na pia da cozinha, onde as verduras estragam ao lado do azeite azedo, e os farelos do bolo chamam formigas, que percorrem a casa, invadindo armários com uma liberdade suspeita e clandestina.

Inércia nos músculos, dopados por droga poderosa que consome os nervos. E ainda há quem diga que não é doença. O hálito do homem é revelador de seu estado de espírito aos mais atentos. O seu mostra uma boca cheirando a amargura, inconfundíveis os cheiros do desamor nela refletidos, porque vêm de dentro das ousadas arapucas do coração. O pé de chinelo desencontrado e o paletó deixado sobre a poltrona apontam o coração como culpado. Detalhe fútil aos demais que não se dão a isso, mas vestígio essencial ao olhar dos detetives que tratam das casas da paixão. Aqueles que descobrem a passionalidade do crime no lenço úmido de lágrimas, na solidão dos espelhos que refletem desamor na ausência, no crispar do riso, no tremor das mãos, no ódio dos retratos, na expressão dos suicidas.

Não vê comida há três dias. A inércia em tudo faz com que permaneça, e permanência nesse estado é dessatisfação, moléstia, coma, pré-coma. O repouso é voluntário. Preguiça, pachorra, mandriice, inação, indolência, moleza e desmazelo. Recluso, porque os sinônimos antecedentes entorpeceram-lhe a musculatura inferior, como micróbios perversos que fulminam lentamente as almas. Desídia, descaso, desprezo. Vislumbra heróis decadentes. Os ídolos envelheceram e é tarde para chamar por Roy Rogers. O Homem-Morcego é manco e Tarzan é rouco. Só um super qualquer poderia ajudá-lo, mas isso é um delírio, e a tela lúdica foi quem eternizou essa crença idiota. Para que lembrar coisas assim? Devastado, depravado, decadente, desmemoriado. Se fosse mágico ele haveria de voltar e pagar por tudo, como vilã de filme projetado em seus deslizes. Febre.

Qual vacina, qual remédio, qual cura possível para um ser naquele estado? ...

Fonte: A solidão dos espelhos. CAMPOS JÚNIOR, Aluísio Santiago. Livraria Del Rey Editora, 1994.


LUCY DE ASSIS SILVA

Natural de Conselheiro Lafaiete, é filha de João Baptista de Assis Silva e Zulmira Santos de Assis. Fez os primeiros estudos no Grupo Escolar “Domingos Bebiano”, em seguida estudou no antigo Ginásio “Monsenhor Horta”, finalizando com o magistério na Escola Normal “Monsenhor Horta”. É professora aposentada e membro-efetivo-fundador da Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafaiete (ACLCL).

Publicações: Tem três livros de memórias publicados: “Eu quero é prosa”; “Se esta rua fosse minha”; “Subindo e descendo a ladeira”; além disso tem vários trabalhos publicados nas “Antologia em Prosa e Verso”, da cidade de Conselheiro Lafaiete.

 

HOMENAGEM: PARABÉNS PRA VOCÊ NESTA DATA FELIZ!

 Mil novecentos e dezoito – o ano

Novembro – o mês

O dia – quinze

Alto da colina – choro de criança

Nasceu o menino!

Na pia batismal – ANTÔNIO (xará do casamenteiro vizinho)

Para Egídio e Alzira apenas TONINHO

No cartório – ANTÔNIO LUIZ PERDIGÃO BAPTISTA

Perdigão do Museu! Exclamam os conterrâneos

ANTÔNIO DE QUELUZ! Alguém surgiu

Nós acatamos

Veio do ontem com as marcas de um longo caminho,

Trazendo na alma os sons da infância – sinos da velha Matriz, apito da “Maria Fumaça”, sineta da escola...

...

Cavaleiro andante de modernos tempos, realizou o sonho pelo qual lutou – Museu e Arquivo seu templo sagrado guardando histórias da veneranda Queluz,

Da sua terra, da nossa terra – berço em que pela primeira vez viu a luz...

...

Fonte: Lafaiete em prosa e verso V.14. LIBÂNIO, Cleonice. Consórcio Mineiro de Comunicação (CMC), 2008.


AVELINA MARIA NORONHA DE ALMEIDA

Natural de Conselheiro Lafaiete, nasceu em 13 de novembro de 1934. Filha de Jair Noronha e Maria Augusta Noronha, viúva de Luiz de Almeida, tendo 9 filhos. Fez todos os estudos no Colégio de Nossa Senhora de Nazaré. Lecionou nas escolas estaduais “Inconfidência” e “Pacífico Vieira” como professora primária. Fez exame de Suficiência na Faculdade Santa Maria da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Lecionou Psicologia, Filosofia Educacional e outras matérias para classes do 2º Grau do Colégio Nossa Senhora de Nazaré, Colégio Estadual Narciso de Queirós e Colégio Monsenhor Horta. Pertence à Academia Municipalista de Minas Gerais, à Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafaiete, ao Colégio Brasileiro de Genealogia e ao Instituto Histórico e Geográfico de Niterói. Organizou a antologia “Poetas Queluzianos e Lafaietenses”  e a Agenda Santo Antônio de Queluz. Teve várias premiações em concursos literários nacionais e internacionais. Participou de várias antologias de outros estados e de todas as edições da antologia “Lafaiete em prosa e verso”. Atualmente, escreve nos jornais “Correio de Minas” e “Correio da Cidade”, além de se dedicar a pesquisas históricas e genealógicas

Publicações: Poetas Queluzianos e Lafaietenses (1991), Agenda Santo Antônio de Queluz (1993), Garimpando no Arquivo Jair Noronha (2013), O relicário (2017), este último em parceria com José Marcos Gonçalves, provedor da Irmandade de Santo Antônio de Queluz.

 

A BELÍSSIMA DATA DA INDEPENDÊNCIA DE CONSELHEIRO LAFAIETE

Um retrospecto da criação da Real Villa de Queluz:

Estava no ano de 1790, o dia era 19 de setembro. Naquela data iria acontecer o que sonhava o povo de Carijós: a criação da vila. Uma petição fora feita ao senhor Visconde de Barbacena e enviada a D. Maria I, rainha de Portugal. Entre outras coisas dizia:

“Illustríssimo e Excellentíssimo Senhor Visconde de Barbacena. A Vossa Exa expõem, reverentemente os Moradores das Freguezias de Nossa Senhora da Conceição, e de Congonhas do Campo, e de Santo Amaro da Itaberava, quê, formando todos huma povoação conjunta de quase vinte mil pessoas, com suficientes fundos, propriedades e terras incultas, e distando das vilas de São José, São João, Villa Rica e Mariana, por onde são demandados mais de quinze, vinte e trinta legoas, por ásperas Serras, caminhos Solitários e passagens de Rios, sem que a justiça possa amparar prontamente os orfaons  e Viuvas pobres, nem defender a tranquilidade pública de alguns facínoras e Salteadores; Desejão os suplicantes merecer a Sua Majestade Fidelissima, o Foral e criação da nova Villa, com Corpo de Câmara, Juiz Ordinário e de Orfaom, Vereadores, Tabelliaens e mais Offeciais competentes, no Campo Alegre dos Carijós”; e prosseguia o documento com mais considerações. ...

No dia muito esperado, o povo, dominado pela alegria, encontrou na Praça Nova, que iniciava à frente da igreja de Nossa Senhora do Carmo e ia até a parte de trás da Matriz. O Senhor Visconde de Barbacena chegou acompanhado da comitiva e, lá do prédio da Câmara, assinou o Auto da Criação da vila. No termo lavrado em livro especial, estavam arrolados o dia da inauguração, o nome da vila, os limites e confrontações de seu território, os nomes do ouvidor, do capitão-mor da vila e das outras autoridades.

Estava criada a REAL VILLA DE QUELUZ!

...

Fonte: Garimpando no Arquivo Jair Noronha. ALMEIDA, Avelina Maria Noronha de. Conselheiro Lafaiete, LESMA, 2012. (Artigo publicado originalmente no jornal LESMA)


JOSÉ DE ASSIS SILVA

Nasceu em Conselheiro Lafaiete, mas reside em Belo Horizonte há vários anos. Formou-se em 1961 pela UCMG e graduou-se em Direito. Integrou o Departamento Jurídico de instituições financeiras, de mineração, siderurgia, imobiliárias e de agronegócio. Concursado, ingressou na Advocacia Pública da União, exercendo o cargo de Procurador da Fazenda Nacional, sendo também nomeado Procurador-Adjunto do Estado de Minas Gerais. Aposentou-se como Subprocurador Geral da Fazenda Nacional. Foi premiado em vários concursos literários dos estados de Minas Gerais e de São Paulo.

Publicações: Lafaiete de Getúlio a JK: três décadas da vida de uma cidade

 

O BARÃO

Pelos idos dos anos 40, criança ainda, curtindo a doce liberdade de andar por quase toda a cidade, nos sentíamos quase um adulto, pretensão amparada pela confiança dos pais e garantida pela placidez da então provinciana cidade.

...

A cadeia pública – onde hoje se situa o Museu Perdigão – aos olhos da criança que éramos, causava-nos espanto, terror até, só ao vê-la; exibia os presos, como sempre, amontoados, agarrados às grossas grades de ferro, pedindo cigarros, dinheiro ou mandando recados a parentes e conhecidos, por meio das pessoas que por ali passavam. Uns atendiam os seus pedidos, outros faziam ouvidos de mercador, o que gerava, quase sempre, palavrões, impropérios aos berros, que ecoavam por toda a praça, num desabafo de revolta.

Ouvíamos dos pais e parentes que morava um barão na Praça Tiradentes. Um barão de verdade! Distanciávamos, naquela época (1942), pouco mais de cinquenta anos da Proclamação da República, porém, para a mente infante o Império era coisa muito antiga, demasiadamente distante e, por isso, inconcebível, a seu ver, que ainda estivesse entre nós alguma figura daquela época.

...

Fonte: Lafaiete de Getúlio a JK: três décadas da vida de uma cidade. SILVA, José de Assis. Edição do autor, 2012.


LUCY DE ASSIS SILVA

Natural de Conselheiro Lafaiete, é filha de João Baptista de Assis Silva e Zulmira Santos de Assis. Fez os primeiros estudos no Grupo Escolar “Domingos Bebiano”, em seguida estudou no antigo Ginásio “Monsenhor Horta”, finalizando com o magistério na Escola Normal “Monsenhor Horta”. É professora aposentada e membro-efetivo-fundador da Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafaiete (ACLCL).

Publicações: Tem três livros de memórias publicados: “Eu quero é prosa”; “Se esta rua fosse minha”; “Subindo e descendo a ladeira”; além disso tem vários trabalhos publicados nas “Antologia em Prosa e Verso”, da cidade de Conselheiro Lafaiete.

 

SILVÉRIO DOROTHEU MACHADO

Silvério Machado era pessoa muito respeitada por todos. Era vicentino e sempre pronto a ajudar aos menos favorecidos. Atuou como músico, por mais de sessenta anos, fazendo parte da corporação Santa Cecília. Trabalhador da mineração Morro da Mina, foi um dos fundadores da banda de música daquela empresa. A banda do Morro da Mina fez sua estreia no dia 22 de setembro de 1917, data em que o músico Silvério se casava com a jovem Maria Augusta.

Na casa de nº 526, ainda de propriedade da família de Silvério, reside sua filha Maria, funcionária aposentada do INSS de nossa cidade. A outra filha, Cecília, que atualmente mora no bairro Rosário, é professora de piano.

Os filhos de “seu” Silvério, assim como todas as crianças da antiga Chapada, frequentavam o catecismo na Capelinha da Paz com a catequista dona Angélica. Cecília, menina esperta e atenciosa, aprendia rapidamente as lições. A primeira comunhão era feita no colégio Nazaré, onde dona Angélica morava, a qual tinha tamanha dedicação ao ponto de não somente buscar, mas levar as crianças de volta para casa (...)

Fonte: Subindo e descendo a ladeira: história, memórias e saudades... SILVA, Lucy de Assis. Consórcio Mineiro de Comunicação, 2005


WAIDD FRANCIS DE OLIVEIRA

Nasceu em Conselheiro Lafaiete, no Bairro Santo Antônio. É filho de Benedito Cândido de Oliveira e de Benedita Silva Oliveira (in memoriam). É casado e pai de duas filhas. Graduou-se e fez mestrado em Direito, fez também pós-graduação em Filosofia. Servidor público federal, professor e diretor de ensino, pesquisa e extensão da Faculdade de Direito de Conselheiro Lafaiete.

Publicações: No campo jurídico “Constituição e Democracia Participativa”, no campo poético “Paisagem Interior”, em parceria com sua filha Ana Helena Milagres de Oliveira.

 

MOMENTO

Hoje o sono é dispensável

diante dessa noite tão bela.

A lua compartilha uma lembrança

que insisto em cultivar

hoje, amanhã e sempre

 

A brisa suave compara-se ao seu semblante

As estrelas sugerem essa admiração

que sinto ao contemplar

seu sorriso único

 

A insensatez de contar estrelas

Compara-se apenas com o exato momento

em que toquei seu rosto

Momento que se eternizou

com o brilho e a beleza

da maior testemunha de tantos

encontros e desencontros

A lua...

Fonte: Paisagem interior. OLIVEIRA, Waidd Francis de e Ana Helena Milagres de. Liga Ecológica Santa Matilde, 2016


CARLOS REINALDO DE SOUZA

Nasceu em Conselheiro Lafaiete – MG e morou em Belo Horizonte por aproximadamente 20 anos. Por volta de 1980 voltou à terra natal e retornou às origens. Exerce a medicina, tendo este ideal desde a infância. Escreve crônicas e poemas nos momentos de lazer. Participa de diversas entidades culturais, científicas e filantrópicas. Sonha com um mundo de paz, justiça e fraternidade.

Publicações: “Casulo de Letras (Memorial Poético)”, 2010 / Participou da antologia “Les Plux Beaux Horizons de la Poésie et de la Prose”, 2013 e participa anualmente da antologia “Lafaiete em Prosa e Verso”.


NATUREZA VIVA

O sol, erguendo-se altivo,

beijou a relva do prado;

as águas serenas do lago

o vento osculou encantado.

 

A nuvem, invejosa, chegando,

com ciúme armou a tormenta

e a chuva, do céu jorrando,

as águas do lago aumenta,

até inundar todo o prado

e o sol encobrir-se, chorando.

Fonte: Casulo de Letras (Memorial Poético). SOUZA, Carlos Reinaldo de. Editora do Autor, 2010.


JANICE REIS MORAIS

Nasceu em 02 de maio em Conselheiro Lafaiete, filha de José Felício Morais e Conceição Reis Chagas. É sócio-fundadora e membro da diretoria da Associação AMAR, atualmente Ponto de Cultura. Em 2015 iniciou sua participação na Antologia Lafaiete em Prosa e Verso. Homenageou as violas de Queluz (patrimônio imaterial de Conselheiro Lafaiete) na revista “Contos e Letras Especial Bienal 2018”. Em 2019 participou de diversas antologias no Brasil e em Portugal e de algumas edições das Revistas Literárias SG MAG e Evidenciarte.

Publicações:  Tem trova e poesias publicadas nas seguintes coletâneas: “Trovadores do Brasil” (2022); “Aldravia mulher: feminino em poesias” (2019); “Conexões Atlânticas” (2021); “Poetas pela paz” (2020); além disso tem vários trabalhos publicados nas “Antologia em Prosa e Verso”, da cidade de Conselheiro Lafaiete.

 

BIBLIOTECA

Silêncio

Tranquilidade

Conhecimentos no ar

na estante lado a lado,

livro a livro enfileirado,

cuidadosamente organizado,

um a um catalogado,

novo sistema informatizado,

ambiente modernizado

no mundo digital visualizado,

amplamente divulgado...

Essencial paraíso de quem lê,

pesquisa,

escreve,

pega o livro emprestado...

Prazer de um livro físico folheado.

Biblioteca não ficou no passado,

caminha com a internet ao lado!

Fonte: Conexões Atlânticas: Brasil. MAYRINCK, Adriana; LOMELINO, Emanuel (Coord.). Editora In-finita, Lisboa, 2021


LEILA MEIRELES

Leila Maria Rodrigues Meireles nasceu em Senhora de Oliveira, filha de João Rodrigues Pereira e Maria Firmina Lana. Fez o curso primário em Senhora de Oliveira, continuou os estudos em Piranga e terminou em Conselheiro Lafaiete, na Escola Estadual Narciso de Queirós, formando-se em Magistério. Posteriormente cursou Técnico em Contabilidade, no Colégio Monsenhor Horta. Trabalhou nas empresas: Viação Sandra, Supermercado Brasil, Companhia Siderúrgica Nacional e Tribunal de Justiça de Minas, onde se aposentou. Cursa Psicologia Relacional pela Faculdade Dom Luciano Mendes de Almeida.

Publicações: Raízes Culturais e peripécias da vida.

 

O NATAL

O primeiro presente a gente nunca esquece.

Acordei cedo.

- Papai Noel passou aqui, disse-me minha mãe.

- Onde ele está?

- Abra a janela.

Assim que abri a janela, minha mãe levantou a vidraça, ainda respingada, pela chuva que caiu, à noite, deparei com uma caixinha, desembrulhada, em formato de coração, de cor rosa, de matéria plástica. Emocionada, abri o coraçãozinho e dentro dele, forrado com um pouco de algodão, estava uma linda correntinha, de ouro, além de um par de brincos de bolinhas, também de ouro. Que dia feliz!

Como na vida nem tudo são flores, tive que suportar a dor de furar as orelhas.

Papai colocou uma rolha de cortiça, atrás de uma das minhas orelhas, pressionou o brinco até furar.

Quem disse que eu deixei furar a outra!

Tanto me falaram: vai ficar coringa! Vai ficar coringa!

Pensei: coringa deve ser coisa feia, e o que eu quero, é ficar bonita.

Deixei furar a outra orelha.

Mais tarde, fiquei sabendo que aquele presente foi trazido pelo meu tio Zé, que acabara de chegar de viagem, em lua de mel, com sua esposa, a tia Nali.

Fonte: Raízes Culturais e peripécias da vida. Liga Ecológica Santa Matilde, 2018.


GERALDO LAFAYETTE

José Geraldo de Almeida nasceu em Conselheiro Lafaiete em 07 de março de 1969. Filho de José Rodrigues de Almeida e Maria Luiza de Almeida e pai de dois filhos. Apaixonado pelas artes, sua vida foi dedicada à cultura, principalmente ao teatro.

Deixou sua terra natal com 16 anos e em Belo Horizonte recebeu o pseudônimo de Geraldo Lafayette, paralelo aos seus estudos de Filosofia e Artes Cênicas. Escreveu diversas peças teatrais e poesias, e teve seus escritos publicados na coletânea anual “Lafaiete em Prosa e Verso”. Foi Secretário Municipal de Cultura e principal idealizador do Festival de Artes Cênicas de Conselheiro Lafaiete (FACE). Faleceu em 14 de junho de 2024 e deixou um legado de grande incentivador de toda a cultura local.

Publicações: Mendigando Esperanças (2005), Ensaios teatrais: comédias (2006).

 

MENDIGANDO ESPERANÇAS

Toda vida

É marcada por passos e passagens.

Idas e vindas

Que se encontram

Nos caminhos tortos

De todo dia.

 

Longa caminhada

E, nela,

Estas palavras querem ser

Lenitivo de paz,

Água para a sede,

Luz para o breu,

Seta para o rumo certo,

Esperança de um amanhã melhor,

Sinal...

Realidade sem utopia.

 

Segurança de chegada...

 

Quem dera fossem...

Convicção de que, além,

Distante ou próximo,

Alguém espera!!!

 

Fé na gente,

Vamos adiante... avante!

Vamos “Mendigar Esperanças”

E nada mais que pensamento e vida.

 

Sem pretensões,

Sem julgamentos,

Vamos seguir jornada,

Pois a esperança anda escondida...

 

Em qualquer canto,

Quem sabe em nós mesmos?!

 

Fonte: Mendigando Esperanças. LAFAYETTE, Geraldo. Consórcio Mineiro de Comunicação, 2005.


ALLEX MILAGRE

Natural de Conselheiro Lafaiete, nasceu em 21 de abril de 1971; foi jornalista, historiador e genealogista. Foi membro-efetivo e fundador da Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafayette (ACLCL) e ocupava a cadeira 17, que tem como patrono o Mons. José Sebastião Moreira. Foi também sócio adjunto do Colégio Brasileiro de Genealogia (RJ), sócio correspondente do Instituto Histórico de Niterói (RJ) e da Academia de Letras de São João Del Rei.  Escreveu artigos históricos e culturais que foram publicados em diversos jornais locais e regionais. Faleceu em 17 de novembro de 2009.

Publicações: “A Sociedade São Vicente de Paulo – de Queluz de Minas a Conselheiro Lafaiete” (1995); “Os 250 anos do Bispado de Mariana” (1996); “Queluz de Minas ou Conselheiro Lafaiete?” (1998); “Padre José Duarte de Souza Albuquerque, 1899-1999” (2001); “Ad Patres” (2002); "Lafayette Rodrigues Pereira": um ilustre queluzense (2009). Trabalhos publicados em antologias: “Poetas Queluzianos e Lafaietenses” (1991); “Agenda Santo Antônio de Queluz” (1992) e “Lafaiete em Prosa e Verso” (1996-2009). Participação nas publicações das obras: “Caminhos do Cerrado” (2005); “Os Pereira Brandão” e “Centelhas de Nazaré” (2005).

LAFAYETTE RODRIGUES PEREIRA: UM ILUSTRE QUELUZENSE

O queluzense: Lafayette Rodrigues Pereira nasceu em uma sexta-feira santa, em 28 de março de 1834, na Fazenda dos Macacos, Vila de Queluz. Em 3 de outubro de 1834 foi batizado na capela filiar de Santo Amaro do Camapuã, conforme registros de batizados da freguesia de Nossa Senhora de Queluz. Tanto ele, quanto seu irmão mais velho, Washington, receberam este nome, simultaneamente, devido à influência e admiração de seu pai pelo fundador da República norte-americana e pelo colaborador da independência daquela nação, o marquês Lafayette.

Lafayette Rodrigues foi descendente de famílias que vieram para esta região na fase áurea da conquista de Minas, e era filho de Antônio Rodrigues Pereira (Barão de Pouso Alegre) e Clara Ferreira de Azevedo. Ambos os irmãos passaram a infância e a adolescência juntos na Fazenda dos Macacos, e Lafayette saiu para estudar no Colégio Matosinhos em Congonhas do Campo. Depois foi para Prados, juntamente com seu irmão e passou a residir na casa do tio padre Felisberto Rodrigues Milagres, daí Lafayette nutriu o gosto pelas letras clássicas, o que o influenciou a se tornar um homem de caráter austero, senso profundamente justo e humanitário, formação que manteve em toda a sua existência.

O jurista: Lafayette fez graduação em Direito em 1857 e logo em seguida mudou para Ouro Preto para ocupar o cargo de Promotor Público. Neste cargo identificou-se com a sua vocação para atividades intelectuais e políticas superiores. Teve rápida passagem pela província de Minas, transferiu-se para o Rio de Janeiro trabalhando no escritório do renomado advogado Teixeira de Freitas. No Rio de Janeiro Lafayette se consagrou como notável jurista, devido a seu conhecimento profundo das ordenanças portuguesas, as quais regiam o Direito Brasileiro. Em 1865 assumiu a presidência do Ceará e também do Maranhão. Em 1866 voltou a advogar e tornou-se sócio de Domingos Andrade Figueira, o qual assumiu a presidência de Minas. Em seguida passou a trabalhar com Venâncio José de Oliveira Lisboa, o qual o deixou em 1968 para assumir a presidência de Paraíba.

Então em 1878 Lafayette afastou-se das lides forenses para assumir o Ministério da Justiça, apesar de sua função como ministro continuou se dedicando aos estudos jurídicos. Como jurisconsulto publicou as obras: “Direito da Família” (1869); “Direito das Cousas” (1877); “Propostas e Relatórios Apresentados à Assembleia Legislativa” (18ª Legislatura); “Questão Comercial”; Princípios de Direito Internacional V.1 e 2 (1902) e diversos “Pareceres Jurídicos”.  As obras literárias de sua autoria sobre o Direito, bem documentadas e sólidas, consagrou-o como um dos mais intelectuais e com autoridade jurídica quando elaborou o Código Civil.

O Jornalista: na época em que não havia formação específica para comunicação social, o jornalismo era exercido principalmente por advogados, pelo clero, literatos, entre outros. Lafayette estreou como jornalista através da “Revista Mensal do Ensaio Filosófico” paulistano em 1854, onde abordou sobre “Constituição Política”, “Soberania”, “As Revoluções”, “O Rei reina e não governa”, “Socialismo”.

Já como jurista lançou em 1858, juntamente com Flávio Farnese e Bernardo Guimarães o primeiro jornal vendido avulso na cidade do Rio de Janeiro com o título “Actualidade”. O objetivo principal do jornal era divulgar a chamada política da conciliação. Entre 1861 a 1865 Lafayette editou a folha “Le Brésil”, com a colaboração de Flávio Farnese e Pedro Luiz, com circulação na Europa. Deixou a redação de “Actualidade” e passou a escrever no “Diário do Povo” em 1868. Já em 1869 passa a escrever no polêmico jornal “Reforma”, dirigido por Francisco Octaviano, onde Lafayette era um dos liberais colaboradores entre outros, grupo que defendia “a necessidade de alterar a ordem política que se relacionasse ao desenvolvimento do país.” Outro jornal no qual participou foi em 1870 com o título “A República”. Este jornal teve enorme responsabilidade para a conscientização de uma abertura social e política no Brasil e parou de circular em 1873. Paralelamente com este jornal Lafayette dirigia “Opinião Liberal”, com considerações sobre o sistema político distante da ocasião em que o país se encontrava, ou seja, nas mãos dos conservadores.

Tampos depois, distante das atividades políticas retorna à imprensa em 1894. Na época em que a República já estava instalada no Brasil, Lafayette passou aos estudos das ciências jurídicas e à leitura de certos autores que lhe despertassem senso crítico, se refugiando na Fazenda dos Macacos, temendo a tirania de Marechal Floriano após a Revolta da Armada em 1893. Em 1898 defendeu o imortal Machado de Assis através do “Jornal do Comércio” com o pseudônimo de Labieno. Em 1887 foi recebido como membro do Conselho da Societé D’Histoire Diplomatique, em Paris e em 1909 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, na vaga de Machado de Assis, sendo que, devido ao seu estado de saúde não chegou a tomar posse formalmente. Ainda assim continuou contribuindo com sua influência intelectual ao dar parecer favorável à admissão de mulheres como membro efetivo/correspondente à Academia em 23 de novembro de 1912.

O filósofo: Lafayette nasceu liberal, influenciado pelo pai, que participou de movimentos políticos fundamentados no liberalismo. Ingressou nos meios acadêmicos, mais precisamente na Faculdade de Direito, em São Paulo, onde absorveu melhores pensamentos baseados em pensadores modernos e seguiu com firmeza os conceitos em que se apoiavam a ética e a moral, contudo seguindo a linha racional nas ciências. Defendeu a razão na sessão magna do Ensaio Filosófico Paulistano, onde foi presidente. Aprofundou-se acerca do pensamento humano, conquistando discernimento nos estudos para aplica-los em seus trabalhos. De formação católica, não deixou sua crença em Deus, mesmo tendo se familiarizado com a doutrina Kantiana. Segundo Lafayette Silveira Martins Rodrigues Pereira foi a crítica da Razão Prática que o estimulou na crença da existência de Deus e na liberdade da imortalidade da alma, de forma que Lafayette sabia distinguir o falso e contraditório no pensamento kantiano e também o que aí havia de genial. Defendeu a obra de Machado de Assis e analisou os trabalhos filosóficos deste escritor. Alcançou inteligência através de pensadores como Aristóteles, Platão, Kant, Hegel, entre outros; e foi por este motivo que alcançou honras por parte de René Poirier, professor de filosofia da Soborne. Em todas as suas obras, tanto literária quanto jurídica, nota-se o homem de cultura invulgar e com enorme conhecimento das várias correntes do pensamento humano.

O político: estreou na política em 1864, sendo nomeado presidente do Ceará e na gestão da administração pública. Conheceu vários problemas existenciais nas áreas jurídicas, sociais, econômicas, política orçamentária/fiscal e problemas estruturais (administração judiciária, segurança pública, aspectos religiosos e filosóficos da sociedade, aspectos educacionais e culturais). Ficou no cargo até 11 de junho de 1865, quando passou a governar a província do Maranhão e gozou do prestígio dos liberais e de antigos conservadores, obtendo apoio dos senadores e deputados, confidenciado na carta a seu irmão Washington. Em 5 de janeiro de 1878 foi convidado a assumir a pasta da justiça, que inicialmente resistindo, acabou aceitando assumir a pasta, atuando entre 1878 e 1880 em avisos e decretos. Em 1880 cai o gabinete liberal e a partir daí passa a figura constante/notável em discussões parlamentares. Em 1882 foi nomeado por Dom Pedro II para o Conselho de Estado, com cargo vitalício em uma das mais altas posições do Império, e em 24 de maio de 1883 assumiu também a pasta da Fazenda.

Lafayette renunciou à presidência do ministério devido à desgastes políticos, mas durante a sua presidência no ministério ocorreu um grande desenvolvimento no local, sendo um dos mais importantes a inauguração da Estação da Estrada de Ferro Dom Pedro II, em Queluz (1883); dado este nome em homenagem ao ilustre filho da terra (Lafayette), de forma que o bairro formado em torno da estação recebeu este nome. Após sua renúncia ao ministério a 20/05/1885, foi nomeado para integrar a Comissão Mista Internacional na questão do caso do Chile.

A 13 de junho de 1888 Lafayette foi condecorado pela Princesa Izabel, em nome do Imperador, com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo. Em outubro atuou como Ministro Plenipotenciário à 1ª Conferência Pan-Americana; recomendado por Dom Pedro II, e um mês depois instaurou-se a República no Brasil. Retornou ao país apenas em 1892, afastando-se definitivamente da política. Conselheiro Lafaiete faleceu em 29 de janeiro de 1917 na Chácara da Gávea em companhia de sua filha.

Por ocasião do Centenário de sua morte, o governador de Minas da época Benedicto Valladares Ribeiro, por decreto estadual nº 11.274 de 27 de março de 1934, mudou o nome da cidade de Queluz de Minas para Conselheiro Lafaiete em homenagem a ele por considera-lo o maior jurisconsulto do Brasil em seu tempo.

Fonte: MILAGRE, Allex. Lafayette Rodrigues Pereira: um ilustre queluzense. Liga Ecológica Santa Matilde, 2009.

 

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